Memórias do I Café com Prosa 2019

Tema: Bordadeiras bordando a história: Músicas e músicos do Carnaval antigo em São João del-Rei

I Café com Prosa de 2019 reuniu populares e personalidades do carnaval são-joanense para relembrar histórias curiosas – Foto: Antônio Celso Toco / Divulgação

O Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei (IHG-SJDR) realizou em 21 de fevereiro de 2.019, a primeira edição, de 2019, do evento denominado “Café com Prosa: Roda de Conversa”. Dedicado ao tema “Bordadeiras bordando a história: Músicas e músicos do Carnaval antigo em São João del-Rei” foi coordenado por esta Presidência e realizado na sede do Instituto, na Rua Santa Tereza, 127, dessa “briosa e fiel cidade”. Estiveram presentes a vice-Presidente Maria Lucia Monteiro Guimarães, que coordenou, e os confrades Antônio Gaio Sobrinho, Betânia Guimarães, Evandro Coelho, Murilo Cabral, José Alberto, Wainer Ávila e os convidados, Sr. Geraldo Silva, artesã Zulei Bassi, Maria Amélia e J. Dangelo, Mestre Quati, pintora e carnavalesca Lígia Velasco, vereador Leonardo, Sec. De Cultura Marcus Frois, Wainer Haddad, Edmilson Sales, Marcela Paiva e Marido e a equipe técnica liderada pela Jornalista Carla Gomes. A vice-presidente Lucinha Guimarães abriu o evento com uma saudação aos convidados e demais presentes e falou resumidamente da importância de cada um nas histórias de Carnaval da cidade. Destacou também a presença dos confrades e falou que ao final do evento as pessoas que estavam participando fariam um desenho em um pano para retratar a discussão do tema os quais, posteriormente, seriam bordados pelas artesãs que participam da atividade “Bordando a História”, desenvolvido no Projeto de Educação Patrimonial desse Instituto. Destacou que os eventos de 2019 trazem como novidade a produção de textos extraídos de entrevistas com convidados significativos nos vários temas e que, ao final do ano propiciará o lançamento de um livro denominado “Estórias por trás da História” que trará perspectivas pessoais de são-joanenses sobre diferentes temáticas da história da cidade.

O carnavalesco, teatrólogo e médico, Jota Dangelo, começou os relatos falando que em São João del-Rei as pessoas nunca separaram o sagrado e o profano. Na década de 50 nossa orquestra Ribeiro Bastos na época do Carnaval tocava no esquinão do Quatro Cantos. Os destaques que saem na escola de samba são os destaques que saem na procissão do Enterro. “Com todo o respeito. As escolas de samba são uma procissão. As alegorias estão ali são os andores, as alas são as irmandades”, relatou Dangelo. Durante sua fala Maria Amélia Dornelles, conhecida por Mamélia, falou sobre a importância de alguns Secretários Municipais que atuaram em prol das melhorias do Carnaval da cidade. “O Jacó e o Djalma ajudaram muito para melhorar o Carnaval da cidade”. Falou também que não podia esquecer que os bailes de Carnaval foram muito importantes. “Tinha os bailes com a disputa de fantasia e minha mãe fazia cada fantasia linda e eu sempre ganhava. Nessa época comecei a namorar o Dangelo e um desses blocos de rancho estava passando. E ele falou que o sonho dele era fazer uma Escola de Samba e falamos com os amigos e familiares: em 1957, pelo primeiro ano, saímos como bloco”. Seu Geraldo, um querido visitante que sempre está presente nas atividades que o IHG realiza, lembrou que as pessoas envolvidas com a festa momesca da cidade faziam tudo por amor. “Apesar de todas as dificuldades para realizar a festa, nossos carnavalescos davam a alma para colocar suas escolas na rua”. O criador do Bloco Recordar é Viver, Mestre Quatí, também participou da Roda de Conversa e lembrou que começou a participar do Carnaval com o Bloco Lua Nova.

Jota Dangelo destacou também que, a partir de 1965, o desfile passou a ser oficial. Até então não tinha esta conotação. “O pessoal falava antes que o Ginego sempre ganhava os desfiles, mas não era nada oficial. Foi em 1965 que esses desfiles passaram a ser oficial. Nessa época aconteceu uma coisa estranha: como não tinha nem arquibancada, foi feito uma passarela no meio da avenida, ficava no alto, e todo mundo via o desfile. A passarela entrava na ponte do teatro e foi feita com cobertura e passava por cima e as escolas ainda subiam a Prefeitura, avançavam pela rua em frente e chegavam até a esquina do Kibom”. A artista plástica e poetisa Lygia Velasco lembrou de uma vez quando o Ginego saiu com uma homenagem à Estátua da Liberdade. “E ele falava assim: é o passo da estátua e toda a escola parava com a pose da Estátua da Liberdade. Eu lembro disso porque foi uma coisa que chocou a avenida. Aquela escola preto e branco toda parada, bateria, todo mundo como estátua”. Lígia também recordou do dia que a letra de um dos sambas do Ginego era uma provocação a Jota Dangelo, seu maior concorrente no carnaval são-joanense.

Os participantes do evento também destacaram que até o início dos anos 70 as escolas eram patrocinadas pelo próprio comércio local. Também foi abordado no evento a edição de jornal de 1929 que tinha o 1º bloco denominado Qualquer Nome Serve dentre outros. Outra lembrança das pessoas foi a de carros alegóricos que, por ruído de comunicação, foram construídos acima das proporções da avenida e na hora do desfile não tinham como passar pela passarela. O encontro encerrou com os participantes fazendo desenhos carnavalescos riscados em um tecido a ser bordado e com um belo café mineiro ao som de marchinhas de Carnaval.

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