Memórias do II Café com Prosa 2019

Tema: A Semana Santa na alma do são-joanense

II Café com Prosa de 2019 teve como tema as histórias e músicas da tradicionalíssima Semana Santa de São João del-Rei – Foto: Antônio Celso Toco / Divulgação

O Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei (IHG-SJDR) realizou em 27 de março último a segunda edição de 2019 do evento denominado “Café com Prosa: Roda de Conversa”. Dedicado ao tema “Bordadeiras bordando a história: A Semana Santa na alma do são-joanense” com a participação do Maestro Abgar Tirado e do Prof. Antonio Gaio como debatedores e um coral da Orquestra Ribeiro Bastos, sob a regência do Maestro Rodrigo Sampaio, como animadores do evento que foi coordenado por esta Presidência e realizado na sede do Instituto, na Rua Santa Tereza, 127, dessa “briosa e fiel cidade”. Estiveram presentes, além dos citados, a vice-Presidente Maria Lucia Monteiro Guimarães, que coordenou os trabalhos, a confreira Betânia Guimarães e o confrade José Alberto. Dentre os convidados, além das vizinhas e vizinhos da rua Santa Tereza, estiveram a Presidente da Academia de Letras, Zélia Terrel, o Sr. Geraldo Silva, Marcela Paiva e Luciano, Sr. e Sra. … da Santa Casa de Misericórdia e a equipe técnica liderada pela Jornalista Carla Gomes. O evento foi aberto com a orquestra apresentando “Miserere” de Manoel Dias de Oliveira após o que a vice-presidente Lucinha Guimarães proferiu uma saudação aos convidados e demais presentes e falou resumidamente da importância de cada um dos debatedores e da orquestra Ribeiro Bastos na Semana Santa são-joanense. Destacou a presença dos confrades e falou que ao final do evento os participantes poderiam admirar o resultado obtido pelas artesãs com os desenhos em bordados que retratam a discussão do tema Carnaval antigo em SJDR, tratado no encontro anterior, conforme previsto no Projeto de Educação Patrimonial desse Instituto. Destacou que os eventos de 2019 trazem como novidade a produção de textos extraídos de entrevistas com convidados significativos nos vários temas e que, ao final do ano o IHG se propõe a realizar o lançamento de um livro denominado “Estórias por trás da História” que trará perspectivas pessoais de são-joanenses sobre diferentes temáticas da história da cidade.

O Maestro Abgar Tirado, iniciando sua participação fala do seu envolvimento com as comemorações da Semana Santa são-joanense e a força da tradição mantida para os rituais, desde o “Domingo de Ramos” até a “Pascoa”. Fala da transmissão radiofônica para toda São João e região dos principais eventos. O prof. Gaio complementa falando sobre o que torna a Semana Santa na cidade um momento muito especial de religiosidade, suportado pelas Irmandades por quase 300 anos, cada uma cuidando de um momento específico da comemoração da Semana Santa, e dando a esses momentos características solenes e até suntuosas para bem comemorar esses momentos. A orquestra apresenta, mais um número, esse do Pe. José Maria Xavier e o maestro Rodrigo fala da importância que os seus componentes dão à sua participação na Semana Santa, independente das dificuldades que a orquestra enfrenta com a relação de quase voluntariado dos seus componentes e de como isso se transfere por gerações dentro das famílias de músicos. Várias intervenções são feitas com destaques sobre o tema pelos presentes e a Prof. Lucinha Guimarães destaca o papel pedagógico da Orquestra na formação dos futuros músicos, cantores e administradores. O Prof. Gaio lembra que na década de 50 a orquestra Ribeiro Bastos na época do Carnaval tocava no esquinão do Quatro Cantos e que os destaques que saem nas escolas de sambas são os mesmos que performam na procissão do Enterro e que o eixo principal das comemorações, a despeito de nas últimas décadas várias paróquias tenham promovido suas próprias comemorações, ficava no espaço entre a Igreja do Rosário, a Matriz do Pilar, as Igrejas N. S. do Carmo e das Mercês e a Igreja de São Francisco. Várias observações são feitas sobre o fato das comemorações se espraiarem pelas paróquias e como isso quebra a tradição. A orquestra faz mais uma apresentação e à pergunta sobre o seu envolvimento nas comemorações o Maestro faz uma digressão sobre as dificuldades de se construir uma performance uniforme e harmônica com músicos e cantores quase amadores, já que a orquestra recebe poucas, mas importantes contribuições financeiras de irmandades que não cobrem os custos efetivos de uma boa orquestra. Falou inclusive da necessidade que a orquestra enfrenta e buscar se apresentar em outros espaços que nem a cidade de SJDR para melhorar sua imagem e aumentar a captação de recursos.

Após uma breve intervenção dos debatedores, o Sr. …, que trabalhava no arquivo da Santa Casa, narra como encontrou documentos relativos a “procissão do fogaréu” que, em alguns anos, chegou a ter 400 tochas. Fala da autonomia que a Santa Casa tinha frente a Diocese na realização do evento, oportunidade em que os apoiadores e mantenedores se encontravam para realizar a coleta da “bolsa” na cidade, região e até outros Estados. Essa coleta gerava recursos necessários à manutenção dos serviços assistenciais ofertados à comunidade carente, com a manutenção dos médicos como um compromisso pessoal mais que um emprego. Falou da realização de mais uma procissão esse ano e convidou aos interessados a entrarem em contato com ele e colegas que organizam os eventos. Após essa fala e mais algumas perguntas dirigidas ao Maestro e relativas à formação musical dos componentes da orquestra, este dirigiu mais uma apresentação de musica sacra da região, ao final da qual a Vice-Presidente Maria Lucia convidou os presentes para uma prosa regada por um bom café e deu por encerrado o evento, convidando para o próximo, em abril, que terá como tema “A Cidade onde os sinos falam…”.

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